Cidade/UF – A crise das criptomoedas, que assolou novembro, persiste em dezembro com o Bitcoin despencando 7% nas últimas 24 horas, atingindo aproximadamente US$ 85.000. A queda acentuada, desencadeada por temores relacionados a uma estratégia de negociação popular e a possíveis aumentos nas taxas de juros no Japão, levanta sérias questões sobre a saúde do mercado de ações e a estabilidade das criptomoedas como reserva de valor.
O Iene no Epicentro da Tempestade Cripto
A recente turbulência no mercado de criptomoedas está intrinsecamente ligada a uma estratégia de investimento conhecida como “carry trade do iene”. Por anos, investidores globais têm se aproveitado das baixas taxas de juros no Japão para tomar empréstimos em ienes e investir em ativos de maior rendimento, como ações americanas e criptomoedas. Essa prática, altamente lucrativa, agora enfrenta um desafio significativo.
O Banco do Japão sinalizou a possibilidade de aumentar as taxas de juros em sua próxima reunião de política monetária, em resposta à inflação persistente. Essa mudança, que representa uma reviravolta após anos de taxas ultrabaixas, pode elevar o valor do iene, tornando a captação de recursos nessa moeda menos acessível e, consequentemente, reduzindo a rentabilidade do “carry trade”. Investidores, temendo perdas maiores, podem ser forçados a vender ativos como Bitcoin e ações para quitar empréstimos, intensificando a pressão de venda e drenando liquidez do sistema.
Impacto nos Mercados Globais
A queda do Bitcoin não é um evento isolado. Ela ocorre em um contexto de aversão ao risco nos mercados financeiros globais, com as ações americanas apresentando baixas significativas. O índice Dow Jones, o Nasdaq e o S&P 500 registraram quedas, refletindo a preocupação dos investidores com a instabilidade do mercado de criptomoedas e o potencial impacto do aperto monetário no Japão. Além disso, o Ether, a segunda maior criptomoeda em valor de mercado, também sofreu uma forte desvalorização.
O que vem por aí
Ainda é incerto o desfecho dessa crise. Os mercados permanecem voláteis e a incerteza em relação ao futuro do “carry trade do iene” paira sobre o mercado de ações. Investidores estão buscando refúgio em ativos considerados mais seguros, como ouro e prata, mas a volatilidade persistente do Bitcoin levanta dúvidas sobre sua capacidade de servir como reserva de valor confiável. O mês de dezembro, historicamente um período forte para os mercados, enfrenta agora sérios obstáculos, e o sinal verde para uma recuperação no final do ano ainda não pode ser dado.
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