Seguro Rural: Ameaças Climáticas Elevam Prejuízos e Desafiam o Setor

Itaí/SP – Luiz Fernando, produtor rural em Itaí, São Paulo, enfrenta perdas severas devido a eventos climáticos extremos, como granizo e geada, que devastaram suas plantações de soja e trigo, respectivamente. O seguro rural tem sido um alívio financeiro crucial, indenizando-o pelas perdas e permitindo a continuidade de sua atividade agrícola, que emprega dez funcionários. No entanto, a crescente frequência e intensidade desses eventos climáticos, impulsionados pelas mudanças climáticas, ameaçam a sustentabilidade do sistema de seguro rural.

O Impacto Crescente dos Eventos Climáticos

O seguro rural funciona com base na premissa de que os prêmios pagos pelos produtores superam as indenizações pagas pelas seguradoras. Entretanto, com o aumento drástico de eventos climáticos extremos, como secas, enchentes e tempestades, as indenizações têm crescido exponencialmente. Para ilustrar, um levantamento da Fiocruz revelou um aumento alarmante de 960% nos eventos climáticos extremos no Brasil, saltando de 639 em 2003 para 6.772 em 2023. Essa escalada nos eventos climáticos coloca em risco o equilíbrio financeiro das seguradoras, que precisam aumentar os prêmios cobrados dos produtores para cobrir os riscos crescentes.

A CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras) estima que os prejuízos causados por eventos climáticos no Brasil entre 2022 e 2024 atingiram a marca de R$ 180 bilhões, com o agronegócio respondendo por metade desse valor. Isso significa que os produtores rurais acumularam perdas de aproximadamente R$ 30 bilhões por ano. Glauco Toyama, presidente da Comissão de Seguros Rurais da FenSeg, explica que a natureza generalizada dos desastres no campo agrava a situação, afetando simultaneamente várias propriedades, ao contrário de sinistros em outros setores, como o automotivo.

Cobertura Insuficiente e Soluções Potenciais

Apesar da vulnerabilidade do agronegócio aos eventos climáticos, menos de 5% da área plantada no Brasil possui seguro rural, representando cerca de 4 milhões de hectares dos 97 milhões de hectares totais. Essa cobertura já foi maior, atingindo 16% em 2020, mas tem diminuído. Em comparação, nos Estados Unidos, a proteção do seguro rural abrange cerca de 60% da área plantada. Para reverter essa situação, o setor busca soluções como o aprimoramento de tecnologias de previsão climática, o fortalecimento das resseguradoras e o aumento da adesão dos produtores ao seguro.

O que vem por aí

Com a realização da COP30 em Belém, as seguradoras esperam que os dilemas do seguro rural sejam amplamente discutidos entre empresários e autoridades globais. Dyogo Oliveira, presidente da CNseg, ressalta a importância de equilibrar o debate climático, tradicionalmente focado na mitigação, com a adaptação, incluindo a expansão da proteção de seguros, especialmente nos países em desenvolvimento. Além disso, o setor busca o apoio do governo para proteger os recursos de subvenção rural de contingenciamentos, visando garantir o financiamento adequado para o seguro rural.

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