São Paulo/SP – O dólar, após uma semana de volatilidade, encerrou esta sexta-feira (30) cotado a R$ 5,24, registrando uma alta pontual no dia. Contudo, a moeda norte-americana acumulou uma queda expressiva de mais de 4% no mês, marcando um saldo negativo na comparação com o real. Esse cenário de oscilações foi intensificado pelo anúncio do novo presidente do Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, Kevin Warsh, nomeado por Donald Trump para substituir Jerome Powell, cujo mandato se encerra em maio. Paralelamente, o Ibovespa recuou pelo segundo dia consecutivo, enquanto a taxa de desocupação no Brasil atingiu uma mínima histórica.
Mercado Reage a Mudanças na Economia Global e Nacional
A valorização do dólar no fechamento desta sexta-feira ocorre em um contexto de intensa movimentação nos mercados globais. A divisa americana havia atingido o menor patamar em 20 meses na quinta-feira (29), fechando a R$ 5,19, superando o valor mínimo registrado em maio de 2024, que foi de R$ 5,1539. As flutuações refletem não apenas a política interna de cada país, mas também as expectativas em torno das decisões monetárias internacionais. Vale destacar que, na última quarta-feira, tanto o Fed quanto o Banco Central do Brasil optaram por manter suas taxas de juros, em 3,50%-3,75% ao ano e 15% ao ano, respectivamente, influenciando diretamente a percepção de risco e o fluxo de capital.
Além disso, a bolsa brasileira, que vinha renovando recordes nas últimas semanas, experimentou uma correção. O Ibovespa fechou na casa dos 180 mil pontos, marcando uma queda pelo segundo dia consecutivo. Essa retração coincide com a divulgação dos dados do mercado de trabalho pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que revelaram uma taxa de desocupação de 5,1% no trimestre encerrado em dezembro. Esse índice representa a menor taxa já registrada pela Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) desde 2012, indicando uma recuperação do emprego. No entanto, o mercado ainda se mostra sensível às tensões geopolíticas e às expectativas sobre as próximas movimentações econômicas globais, especialmente vindas dos EUA.
O Impacto da Escolha no Federal Reserve
A nomeação de Kevin Warsh como o novo presidente do Fed é um ponto crucial que tem movimentado os mercados. Aos 55 anos, Warsh possui um currículo robusto: integrou o Conselho de Diretores do Fed entre 2006 e 2011, período em que participou ativamente do Fomc (comitê que define as taxas de juros americanas). Com formação em Políticas Públicas pela Universidade de Stanford e Direito por Harvard, além de cursos no MIT, ele traz uma vasta experiência em mercados financeiros e de dívida, tendo atuado no Morgan Stanley e como assessor econômico de George W. Bush. Sua participação no resgate financeiro de bancos após a crise de 2008 e na equipe de transição do primeiro mandato de Donald Trump endossam sua influência e conhecimento, o que gera expectativas sobre a condução da política monetária americana nos próximos anos.
O que vem por aí
A volatilidade observada nos mercados brasileiro e global reflete a sensibilidade dos investidores a anúncios políticos e indicadores econômicos. Com a transição na liderança do Federal Reserve e os desafios contínuos na economia mundial, os próximos meses prometem ser decisivos. Acompanhar a atuação de Kevin Warsh à frente do Fed será fundamental para entender os rumos das taxas de juros americanas e, consequentemente, o impacto sobre o dólar e outros mercados emergentes, incluindo o Brasil. A manutenção de uma taxa de desocupação baixa no país, como a divulgada pelo IBGE, pode atenuar os efeitos de um cenário externo mais adverso, mas a vigilância sobre a inflação e o crescimento econômico seguirá intensa.
Para mais informações, continue conectado no Portal Conectados.







