Washington, D.C./EUA – A Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos intensificou seus esforços de recrutamento de espiões dentro da China ao lançar, recentemente, um novo e provocativo vídeo em mandarim. A campanha mira diretamente oficiais militares chineses que demonstram desilusão com a percepção de corrupção sistêmica em seu governo e com as extensas demissões de generais de alta patente promovidas pelo presidente Xi Jinping. O objetivo é capitalizar sobre as fissuras internas para fortalecer a coleta de inteligência humana.
Estratégia de Dissuasão: O Apelo da CIA a Oficiais Chineses
O vídeo em questão, divulgado pela agência, apresenta um enredo dramático centrado em um oficial militar fictício de nível médio. Ele é retratado em meio a uma profunda crise de consciência, ponderando a “difícil decisão de permanecer fiel aos seus valores e trilhar um caminho melhor para sua família” ao entrar em contato com a CIA. A narrativa é potente, utilizando a voz de um narrador que questiona a lealdade a um sistema que “inevitavelmente teme e elimina sem piedade” qualquer um com capacidade de liderança. “Não posso permitir que esses loucos moldem o futuro da minha filha”, afirma o personagem, ecoando um sentimento que a CIA espera ressoar entre os descontentes com a repressão interna e a busca incessante por lealdade pessoal a Xi Jinping.
Esta nova investida da CIA não é um evento isolado; ela busca dar continuidade a uma campanha de recrutamento lançada no ano anterior, que, segundo um funcionário da agência à CNN, já resultou na bem-sucedida captação de novas fontes cruciais para a coleta de informações de inteligência humana dentro da China. Essa revelação sugere que a agência tem obtido avanços significativos em um território historicamente desafiador para a infiltração externa. John Ratcliffe, diretor da CIA, sublinhou durante sua audiência de confirmação que a China representa uma das principais prioridades da agência. As autoridades americanas indicaram que a CIA tem feito progresso na reconstrução de sua rede de fontes no país, que se acreditava estar severamente comprometida anos atrás. Em resposta, Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, declarou que “os planos das forças anti-China não terão sucesso”, reiterando o compromisso de Pequim em combater firmemente a infiltração.
Geopolítica da Desconfiança: Purga de Xi e o Cenário de Inteligência
A intensificação da repressão à liderança militar chinesa pelo presidente Xi Jinping é vista como uma janela de oportunidade estratégica para a CIA. Desde que ascendeu ao poder em 2012, Xi tem empreendido uma vasta campanha anticorrupção que já puniu mais de 200 mil oficiais, esvaziando o alto escalão das Forças Armadas. Notavelmente, mais de 20 oficiais militares de alta patente foram investigados ou destituídos apenas desde 2023. Essa purga é percebida por analistas como uma forma de Xi consolidar ainda mais o poder e garantir a lealdade inquestionável dentro das fileiras militares. A vulnerabilidade criada por essa instabilidade interna e a desconfiança gerada entre os líderes militares chineses são pontos que a CIA busca explorar. Historicamente, os EUA perderam uma série de espiões na China a partir de 2010, em uma campanha de contraespionagem chinesa “paralisante”, e a reconstrução dessa rede tem sido uma prioridade contínua para os serviços de inteligência americanos.
Reconstrução de Redes e a Resposta de Pequim
A batalha silenciosa no cenário da inteligência entre os Estados Unidos e a China parece estar entrando em uma nova fase, com a CIA otimista quanto à sua capacidade de penetrar as defesas de Pequim. A estratégia de apelar diretamente à desilusão interna da elite militar chinesa, em meio às purgas de Xi Jinping, marca uma abordagem arriscada, mas que a agência considera frutífera. Enquanto a CIA continua a “oferecer aos funcionários do governo chinês e aos cidadãos a oportunidade de trabalharem juntos por um futuro melhor”, o governo chinês reage com firmeza, prometendo “salvaguardar resolutamente a soberania nacional, a segurança e os interesses de desenvolvimento”. O desdobramento dessa disputa de inteligência terá implicações significativas para as complexas relações bilaterais e a estabilidade geopolítica global.
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