Pesquisadora Indígena Reforça Valorização de Mulheres Cientistas

Mato Grosso – A urgência em fortalecer a imagem das mulheres na ciência, com especial atenção às pesquisadoras indígenas, é pauta central do trabalho da doutora Naine Terena. Em um estado que registra alarmantes índices de violência de gênero, incluindo feminicídio, a pesquisadora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e da PUC-SP dedica-se a combater estereótipos e disparidades, visando preencher a lacuna de respeito e reconhecimento da contribuição feminina no campo científico e acadêmico.

Desafios e Preconceitos Afastam Mulheres da Carreira Científica

A pesquisadora Naine Terena, doutora em Educação, atua no Projeto Museu-Lab de arte, ciência e tecnologia, em execução no Instituto de Física da UFMT. Seus estudos focam na difusão e popularização da ciência, com um interesse particular na presença e no papel das mulheres. A proposta de Naine vai além do âmbito acadêmico, buscando ressaltar a relevância da valorização feminina em todas as esferas da vida, como um pilar essencial para a construção de uma sociedade mais equitativa e justa. A discussão sobre a lacuna de respeito às mulheres, tanto profissionalmente quanto em suas vidas cotidianas, torna-se, assim, um ponto de partida crucial para suas investigações.

Nesse cenário, é impossível ignorar a gravidade da violência contra a mulher. Mato Grosso, lamentavelmente, tem liderado rankings nacionais de feminicídio, conforme dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O levantamento, divulgado em julho de 2025, apontou o estado como líder em feminicídio em 2024. Além disso, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso registrou 46 feminicídios de janeiro a outubro de 2025, um aumento de 18% em comparação com o mesmo período do ano anterior, e cerca de 5 mil ações penais em Comarcas do estado. Essa realidade brutal é o ápice de violências cotidianas que também se manifestam no ambiente universitário, onde estereótipos de gênero direcionam mulheres a áreas de menor prestígio ou remuneração, criando os chamados “guetos femininos”.

Um exemplo marcante dessa disparidade é observado no curso de Física da UFMT. Dados de formandos revelam um desequilíbrio significativo: no segundo semestre de 2024, apenas duas mulheres se graduaram no Bacharelado em Física, em um grupo de nove alunos. Já na Licenciatura, no mesmo período, as duas únicas formandas eram mulheres. Para o semestre letivo de 2025/01, a licenciatura teve cinco graduados, sendo duas mulheres. Diante desses dados, Naine Terena buscou entender as percepções das alunas de Física por meio do projeto de extensão “Mulheres nas Ciências”, também vinculado ao Instituto de Física da UFMT. As estudantes relatam desafios constantes em um curso culturalmente percebido como “masculino”, sublinhando a necessidade de disputar e questionar a construção de subjetividades e o papel feminino na Física, evidenciando que, embora haja equilíbrio nas admissões, a conclusão ainda é um gargalo para as mulheres.

O Papel da Educação e da Interdisciplinaridade na Promoção da Equidade

A pesquisa de Naine Terena se aprofunda na intersecção de diferentes áreas do conhecimento para alcançar a popularização da ciência. Para isso, ela tem visitado instituições e espaços que se identificam como museus de ciência, buscando compreender as metodologias e abordagens que promovem o engajamento do público. Adicionalmente, aplicou formulários a educadores da educação básica, visando apreender a importância e o impacto de espaços dedicados à difusão científica. Um pilar fundamental de seu projeto é a análise da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento crucial que define as aprendizagens essenciais para todos os estudantes da educação básica brasileira. A BNCC, ao orientar currículos e propostas pedagógicas de escolas públicas e privadas, é um instrumento potente para alicerçar a temática “Mulheres na Ciência” no ensino, garantindo que os estudantes desenvolvam uma compreensão mais inclusiva e conectada com as realidades do mundo, rompendo com estereótipos desde cedo.

O Que Vem Por Aí

O trabalho da doutora Naine Terena é um chamado à ação, destacando a importância vital de se investir na valorização da mulher cientista e de se combater a violência de gênero em todas as suas manifestações. A integração da discussão sobre mulheres na ciência nos currículos escolares e a promoção de ambientes acadêmicos mais acolhedores são passos essenciais para construir um futuro onde a ciência seja um campo verdadeiramente inclusivo. A continuidade de pesquisas e projetos como o “Mulheres nas Ciências” é fundamental para garantir que mais talentos femininos, incluindo os de origem indígena, possam florescer e contribuir plenamente para o avanço do conhecimento e para o bem-estar social.

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