Alberta, Canadá – Em um cenário político conturbado que ameaça as já tensas relações entre Estados Unidos e Canadá, um grupo separatista da província de Alberta tem procurado auxílio do governo americano para sua independência. O “Projeto de Prosperidade de Alberta” reuniu-se secretamente com funcionários do Departamento de Estado dos EUA desde abril de 2025, enquanto o líder canadense Mark Carney reiterou o pedido para que o presidente Donald Trump respeite a soberania do país.
Tensões Diplomáticas e Ambições Separatistas Agitam Relação EUA-Canadá
A movimentação separatista, noticiada pelo jornal Financial Times, revela que as discussões com autoridades americanas ocorreram em pelo menos três ocasiões. Além disso, o grupo de Alberta planeja solicitar ao Tesouro dos EUA uma linha de crédito substancial de US$ 500 bilhões, visando apoiar a transição para uma província livre e independente, conforme comunicado por um de seus líderes em uma publicação no LinkedIn. Essa iniciativa provocou forte reação em Ottawa e em outras províncias canadenses. Mark Carney, o líder canadense, expressou preocupação com a interferência externa. Embora um funcionário da Casa Branca tenha minimizado o envolvimento, afirmando à CNN que “funcionários do governo se reúnem com diversos grupos da sociedade civil e nenhum apoio ou compromisso foi transmitido”, a notícia reacendeu a indignação no Canadá. A nação busca apresentar uma frente unida contra as tarifas e ameaças da administração Trump ao seu território, e o líder da vizinha Colúmbia Britânica chegou a comparar a iniciativa do grupo de Alberta à “traição”.
Alberta, frequentemente apelidada de “província da energia”, é uma região do oeste canadense rica em petróleo, com uma área equivalente à do estado do Texas e uma população de aproximadamente 5 milhões de habitantes. Sua economia é fortemente impulsionada pelos setores de energia e agricultura, sendo responsável por cerca de 84% da produção total de petróleo bruto do Canadá, graças às suas vastas areias betuminosas. Politicamente, a província é conhecida como um bastião do conservadorismo canadense, embora seus centros urbanos, Calgary e Edmonton, demonstrem tendências mais progressistas. A primeira-ministra de Alberta, Danielle Smith, tem mantido uma relação amistosa com Donald Trump e outros republicanos, inclusive visitando o clube privado do presidente, Mar-a-Lago, em janeiro de 2025. Esse alinhamento contrasta marcadamente com a postura de outras províncias, que se uniram para resistir às ameaças de Trump de anexar o Canadá e prejudicar sua economia.
As Raízes do Descontentamento Albertino
O sentimento separatista em Alberta não é recente. Há muito tempo, os habitantes da província sentem que seus interesses não são adequadamente representados em Ottawa, a capital federal. Eles argumentam que as políticas do governo federal para combater as mudanças climáticas prejudicam diretamente a vital indústria petrolífera de Alberta. Além disso, consideram que contribuem com mais impostos federais do que recebem de volta em serviços e investimentos, e que seus valores conservadores são ofuscados pelos de províncias mais liberais e populosas a leste. Michael Solberg, sócio da New West Public Affairs e ex-assessor político, ressalta que o “sentimento de alienação existe desde a Confederação e, certamente, desde que Alberta se tornou uma província em 1905”. Ele acrescenta que esse sentimento tende a se intensificar em períodos nos quais os albertinos percebem que Ottawa toma decisões que afetam negativamente seu modo de vida. Os confinamentos impostos pelo governo federal durante a pandemia de Covid-19 e mais de uma década de liderança liberal em Ottawa exacerbaram essa sensação, agravando-se ainda mais à medida que o restante do Canadá se unia em um patriotismo anti-Trump. Logo após a vitória dos liberais de Mark Carney nas eleições federais de abril de 2025, a legislatura de Alberta aprovou uma lei que facilita a organização de um referendo sobre a independência.
O Futuro Incerto de Alberta e a Diplomacia Regional
A saga do “Projeto de Prosperidade de Alberta” e sua busca por apoio internacional sublinha as profundas divisões políticas e culturais dentro do Canadá. A resposta de Ottawa, em meio à tensão com Washington, será crucial para determinar os próximos capítulos desta disputa territorial. Enquanto os líderes canadenses buscam reafirmar a soberania nacional, o movimento separatista de Alberta, impulsionado por um forte sentimento de autonomia, continua a pressionar por um referendo. O desenrolar dessa situação terá implicações significativas para a unidade canadense e para a dinâmica diplomática na América do Norte, com os olhos do mundo voltados para como essa complexa questão será gerenciada no cenário internacional.
Para mais informações, continue conectado no Portal Conectados.








