Brasília/DF – O governo da Coreia do Sul encaminhou um pedido formal ao Brasil solicitando a reavaliação do recente aumento do imposto de importação sobre produtos siderúrgicos. A solicitação, datada de 2 de fevereiro de 2026, precede em poucas semanas a aguardada visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao país asiático, agendada entre 22 e 24 de fevereiro, e coloca em pauta questões comerciais importantes entre as duas nações.
Tensões Comerciais às Vésperas de Encontro Presidencial
No final de janeiro, o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Camex) havia decidido elevar as tarifas de importação de nove categorias de aço, passando de uma média de 12,6% para 25%, uma medida com validade de um ano. Essa alteração impactou diretamente produtos como laminados, fios de ferro, cordas e cabos, que registraram alto volume de entrada no mercado brasileiro e um crescimento notável nas compras externas. A decisão da Camex foi estratégica, visando proteger a indústria nacional e equilibrar a balança comercial em setores específicos que mostravam grande competitividade estrangeira.
Em sua comunicação oficial ao governo brasileiro, a Coreia do Sul defende que suas exportações de aço são cruciais para a manutenção da competitividade da indústria manufatureira brasileira. Além disso, o país asiático fez pedidos específicos: que as novas tarifas não incidam sobre cargas já embarcadas ou com contratos firmados – estimando-se que cerca de 40 mil toneladas já estejam em trânsito e um volume similar pronto para envio. Adicionalmente, foi solicitada a isenção para determinados tipos de aços elétricos, sob a alegação de que a produção interna do Brasil é insuficiente para atender à demanda do mercado local, o que poderia gerar desabastecimento ou encarecimento de produtos finais.
Impacto e Análise Governamental
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) confirmou o recebimento do pedido e informou que a solicitação sul-coreana foi encaminhada para análise técnica aprofundada. Até o momento, o ministério não divulgou qualquer indicação sobre uma possível revisão ou modificação da decisão tarifária. Esta análise é de suma importância, pois a manutenção ou alteração das tarifas poderá ter consequências diretas nos custos de produção de diversas indústrias brasileiras que dependem desses insumos, além de impactar as relações diplomáticas e comerciais com um parceiro estratégico como a Coreia do Sul, especialmente às vésperas de uma visita presidencial. A decisão final deverá considerar tanto os interesses da indústria nacional quanto os acordos bilaterais e a dinâmica do comércio exterior.
O que vem por aí
A expectativa agora recai sobre a resposta do governo brasileiro, que será crucial para as discussões a serem realizadas durante a visita do Presidente Lula à Coreia do Sul. Este episódio sublinha a complexidade das relações comerciais internacionais e a necessidade de um equilíbrio entre a proteção da indústria doméstica e a manutenção de parcerias estratégicas. Os próximos dias serão decisivos para definir o desfecho desta questão tarifária e o tom dos futuros acordos bilaterais entre Brasil e Coreia do Sul, com o tema provavelmente dominando parte da agenda presidencial.
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