Brasília/DF – A Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) do INSS decidiu, em votação nesta quinta-feira, não convocar Fábio Luiz Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão ocorreu após 19 votos contrários e 12 favoráveis, frustrando o requerimento apresentado pelo partido Novo, que buscava esclarecimentos sobre possíveis desvios de recursos envolvendo o nome de Lulinha.
Requerimento e Alegações
O requerimento para a convocação de Fábio Luiz Lula da Silva foi uma iniciativa do deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS), que se baseou em depoimentos anteriores. Segundo Van Hattem, o depoimento de Eli Cohen indicava que o contador João Muniz Leite, responsável pelas contas de Lulinha na época, teria recebido recursos provenientes de desvios. A tentativa de trazer Lulinha à CPMI visava esclarecer o seu possível envolvimento com essas transações financeiras suspeitas.
Além disso, novas informações divulgadas pelo site Poder360 e confirmadas pela coluna de Andreza Matais, do Metrópoles, trouxeram à tona um depoimento à Polícia Federal (PF) onde uma testemunha alega que Lulinha teria recebido uma mesada de aproximadamente R$ 300 mil de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Este depoimento, prestado por Edson Claro, um ex-funcionário de Antunes, que alega perseguição, intensificou ainda mais o debate sobre a necessidade de convocar Lulinha para prestar esclarecimentos à CPMI.
Entenda a “Farra do INSS”
A chamada “farra no INSS” refere-se a um esquema de desvios e irregularidades que veio à tona em dezembro de 2023, após uma série de reportagens do Metrópoles. As investigações revelaram um aumento significativo nas arrecadações de associações através de descontos indevidos aplicados a aposentados, alcançando a cifra de R$ 2 bilhões em um único ano. As entidades envolvidas enfrentavam inúmeros processos por filiações fraudulentas, o que motivou a abertura de um inquérito pela Polícia Federal e investigações da Controladoria-Geral da União (CGU). A Operação Sem Desconto, deflagrada em abril deste ano, resultou na demissão do então presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi. A Polícia Federal utilizou 38 reportagens do portal Metrópoles como base para a operação.
O que vem por aí
A CPMI do INSS, que realiza sua última sessão do ano, tem previsão de encerrar os trabalhos em março. No entanto, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), pretende solicitar uma prorrogação de 60 dias para a realização de novos depoimentos e aprofundamento das investigações. A decisão final sobre a prorrogação caberá ao presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
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