Curaçá/BA – O Criadouro Ararinha-azul, situado em Curaçá, Bahia, veio a público contestar as alegações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) referentes a supostas irregularidades sanitárias, negligência e condições consideradas insalubres em suas instalações. As acusações pairam sobre o local que abriga uma parcela significativa da população mundial da ararinha-azul, espécie criticamente ameaçada e símbolo da Caatinga, levantando debates acalorados sobre a conservação e o manejo da espécie. O criadouro, que afirma abrigar 103 aves, das quais 98 testaram negativo para circovírus em exames recentes, defende seus protocolos e investimentos na preservação da espécie.
Guerra de Versões Abalando a Conservação?
Em resposta às alegações do ICMBio, o criadouro emitiu uma nota oficial na qual reafirma seu compromisso com “protocolos rígidos de biossegurança, bem-estar animal e manejo em ambiente limpo e controlado, com normas internacionais”. A instituição critica a postura do órgão federal, alegando que, em vez de buscar colaboração para solucionar um problema sanitário persistente no Brasil há mais de três décadas, o Estado opta por transferir a responsabilidade e penalizar uma entidade privada que investe recursos próprios na conservação da espécie. Vale destacar que a manifestação surge após a confirmação, pelo Ministério do Meio Ambiente, de que as últimas 11 ararinhas-azuis que viviam soltas na natureza em Curaçá foram recapturadas, apresentando contaminação por circovírus, um vírus incurável que causa a doença do bico e das penas, frequentemente fatal.
Adicionalmente, o criadouro questiona a precisão dos números apresentados sobre a quantidade de aves supostamente infectadas. Embora os testes iniciais tenham indicado a presença do circovírus em 11 ararinhas em vida livre, a instituição sustenta que exames posteriores diminuíram o total para cinco casos positivos: três pertencentes ao plantel e dois referentes aos animais recapturados na Caatinga. A empresa contesta ainda a multa de R$ 1,8 milhão aplicada pelo ICMBio, argumentando não ter tido acesso ao laudo técnico completo que serviu de base para a autuação. A situação expõe uma divergência de informações e abordagens entre o órgão governamental e a instituição privada, colocando em xeque a condução dos esforços de conservação da ararinha-azul.
O Circovírus e o Futuro da Ararinha-Azul
O circovírus representa uma séria ameaça à população de ararinhas-azuis, dada a sua alta taxa de mortalidade e a ausência de cura. A contaminação das aves que viviam soltas na natureza e as divergências sobre a quantidade de animais infectados no criadouro colocam em risco os esforços de reintrodução da espécie em seu habitat natural. A suspensão da nova soltura de 20 aves, prevista para 2025, após a detecção do vírus, demonstra o impacto da questão sanitária nos planos de conservação. A situação exige uma ação coordenada entre o governo, as instituições de pesquisa e os criadouros para controlar a disseminação do vírus e garantir a saúde da população de ararinhas-azuis.
O que vem por aí
O futuro da ararinha-azul depende da resolução das divergências entre o ICMBio e o criadouro, bem como da implementação de medidas eficazes para o controle do circovírus. É crucial que as partes envolvidas busquem o diálogo e a colaboração, priorizando a saúde e o bem-estar das aves. A transparência na divulgação de informações e o acesso a laudos técnicos são fundamentais para garantir a credibilidade do processo. A sociedade aguarda ansiosamente os próximos capítulos dessa história, torcendo para que a ararinha-azul possa voltar a voar livremente na Caatinga.
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