Goiânia/GO – Uma recente revisão de 42 estudos, publicada na prestigiada revista *Nutrition Research Reviews*, aponta que a maioria da população mundial ingere ômega-3 em quantidades significativamente abaixo das recomendações internacionais. O médico nutrólogo Rodrigo Costa Gonçalves, do renomado Einstein Hospital Israelita em Goiânia, alerta para a gravidade dessa deficiência silenciosa, revelando que aproximadamente três em cada quatro indivíduos não atingem a média diária de 250 mg desse ácido graxo essencial para a saúde.
O Cenário da Ingestão de Ômega-3 no Mundo
A pesquisa compilou evidências técnicas e científicas que servem de base para guias alimentares em dezenas de países, identificando um padrão preocupante: a maior parte das pessoas dedica pouco espaço em suas dietas para alimentos ricos em ômega-3 ou para fontes que auxiliam sua produção pelo organismo. O cenário atual indica uma lacuna substancial entre o consumo ideal e o real, impactando diretamente o bem-estar de milhões. Segundo o Dr. Gonçalves, esse padrão alimentar está ligado à baixa frequência de consumo de peixes gordurosos na semana, essenciais para suprir a demanda diária.
Para contextualizar, alcançar a meta diária de ômega-3, que é de cerca de 250 mg, equivale a consumir peixes ricos nesse nutriente, como sardinha e atum, de duas a três vezes por semana. Indivíduos que não seguem essa prática alimentar, conforme destacado pelo especialista, estão muito provavelmente fora da faixa protetora que o ômega-3 oferece. O estudo focou principalmente em três tipos cruciais de ômega-3: o EPA, o DPA e o DHA, os quais, embora com benefícios em fases distintas da vida, têm sua origem primária em peixes marinhos gordurosos e certas algas.
Impactos Silenciosos da Baixa Ingestão
Apesar da relevância e das metas estabelecidas em quase todos os guias alimentares analisados, somente cerca de 25% da população global consegue atingi-las. A ingestão insuficiente desses ácidos graxos, embora não provoque sintomas agudos e imediatos, pode ter consequências significativas a longo prazo. O nutrólogo ressalta que essa deficiência aumenta, de forma insidiosa, o risco de desenvolvimento de problemas cardiovasculares e pode comprometer a saúde cerebral e ocular ao longo dos anos, funcionando como um fator de risco oculto.
Ademais, uma dieta adequadamente enriquecida com EPA e DHA está comprovadamente associada à redução de marcadores lipídicos prejudiciais, como os triglicerídeos, o que se reflete diretamente na diminuição da incidência de eventos cardíacos graves, como infartos. Durante fases críticas da vida, como a gestação e a lactação, a atenção ao DHA é ainda mais crucial. Este tipo de ômega-3 desempenha um papel fundamental na formação do cérebro e da retina do bebê. Por essa razão, a maioria das diretrizes nutricionais recomenda um acréscimo de 100 a 200 miligramas diários de ômega-3 para gestantes. No âmbito oncológico, pesquisas iniciais também sugerem uma possível ligação entre o consumo de ômega-3 e a minimização da perda de peso e massa muscular em pacientes com câncer, embora este seja um campo que ainda demanda aprofundamento científico.
Estratégias para Aumentar o Consumo de Ômega-3
Para reverter o quadro de deficiência, a principal recomendação é incorporar no cardápio semanal ao menos duas porções de peixes como sardinha, cavala, salmão, atum fresco ou anchova. A baixa presença de pescados gordurosos na dieta, muitas vezes, é reflexo de hábitos culturais arraigados e da dificuldade de acesso a esses alimentos em algumas regiões. Embora peixes concentrem EPA e DHA em formas de alta biodisponibilidade, alimentos de origem vegetal, como linhaça, chia, nozes, óleo de canola e folhas verdes, fornecem o ALA, um precursor do ômega-3.
No organismo, o ALA passa por um processo metabólico para se converter em EPA e DHA. Contudo, é fundamental saber que essa conversão é limitada, geralmente inferior a 10%. Para aqueles que não consomem peixes, o médico do Einstein aponta os óleos de microalgas como a alternativa mais eficiente para substituir e aumentar os níveis de ômega-3. Os suplementos, tanto à base de algas quanto de óleo de peixe, também são eficazes em elevar o índice de ômega-3 no sangue, mas sua qualidade e concentração variam consideravelmente entre os produtos disponíveis no mercado.
O que vem por aí
A principal estratégia, para a população em geral, deve ser a priorização do consumo de peixes na dieta, considerada a forma mais saudável e completa de atingir as metas nutricionais de ômega-3. A suplementação, por sua vez, deve ser uma decisão individualizada, baseada no perfil clínico e alimentar de cada pessoa. Ela é frequentemente indicada para grupos específicos, como indivíduos veganos ou vegetarianos, pessoas com colesterol elevado ou maior risco cardiovascular, além de gestantes e lactantes. Em qualquer cenário, a avaliação e orientação de um profissional de saúde são indispensáveis para uma decisão segura e eficaz, garantindo que a ingestão de ômega-3 contribua de forma otimizada para a saúde e bem-estar.
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