Sete Lagoas/MG – A histerectomia, procedimento que remove o útero, frequentemente gera receios sobre a vida sexual feminina, levantando questões sobre a libido, menopausa e a própria identidade. Contrariando antigos tabus e desinformações, a ciência moderna demonstra que o útero não é o centro da sexualidade, e a função sexual geralmente não piora após a cirurgia, desde que os ovários sejam preservados. Entenda como a histerectomia impacta a sexualidade e desmistifique os medos associados a este procedimento.
Histerectomia: Mito ou Verdade Sobre a Sexualidade?
Por décadas, a sexualidade feminina foi envolta em mitos e tabus, influenciados tanto por questões culturais quanto pela falta de informação precisa. Muitas mulheres temem que a remoção do útero possa levar à perda da libido, ao início precoce da menopausa ou a uma sensação de “deixar de ser mulher”. No entanto, estudos recentes e a prática médica atual oferecem uma perspectiva mais clara e tranquilizadora. Uma revisão sistemática abrangendo mais de 4 mil mulheres submetidas à histerectomia por condições benignas, como miomas e adenomiose, revelou que a função sexual geralmente não se deteriora após a cirurgia, independentemente da técnica utilizada.
Vale destacar que mulheres que já apresentavam queixas sexuais antes da histerectomia tendem a manter o mesmo padrão após o procedimento. A principal atenção recai sobre a remoção dos ovários, pois a retirada destes pode levar a uma queda abrupta nos níveis hormonais, impactando a lubrificação vaginal, a libido e a capacidade de atingir o orgasmo. A Dra. Priscilla Rossi Baleeiro Marcos, ginecologista, enfatiza que o útero não é o principal responsável pela sexualidade feminina, mas sim os ovários, quando removidos antes da menopausa, que podem influenciar o desejo sexual.
O Alívio da Dor e o Retorno do Desejo
Muitas pacientes relatam uma melhora na vida sexual após a histerectomia, o que pode ser atribuído à eliminação de problemas como sangramentos intensos, dor pélvica crônica e o desconforto causado por doenças como a adenomiose. Ao eliminar o sofrimento físico, o corpo pode funcionar de maneira mais eficiente, permitindo que a energia sexual – intrinsecamente ligada ao bem-estar geral – retorne. A liberdade de não mais lidar com essas questões físicas pode proporcionar uma nova perspectiva sobre a intimidade e o prazer.
O que vem por aí
A sexualidade feminina é um fenômeno multifacetado, influenciado por fatores emocionais, autoestima, relacionamentos, experiências passadas, crenças sobre o próprio corpo, e saúde hormonal e física. A histerectomia pode despertar sentimentos de alívio e recomeço para algumas mulheres, enquanto outras podem experimentar inseguranças sobre feminilidade e fertilidade. É crucial abordar esses sentimentos de forma acolhedora e buscar apoio adequado, caso surjam alterações hormonais ou emocionais. Com informação e acompanhamento adequados, a mulher pode viver sua sexualidade plenamente, com ou sem útero, mantendo o prazer, o desejo e a intimidade.
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