Operação Contenção: Relatório Revela Perfil das Vítimas
Cidade/UF: Rio de Janeiro/RJ – A operação Contenção, deflagrada em outubro, resultou em 117 mortes de civis, com uma média de idade de 28 anos, conforme relatório da Polícia Civil. Considerada a ação policial mais letal da história do Brasil, a operação teve como alvo integrantes do Comando Vermelho, levantando debates sobre a legalidade e os direitos humanos envolvidos. O relatório detalha a faixa etária das vítimas e as justificativas da polícia para a ação.
Quem eram as vítimas da operação?
O relatório da Polícia Civil do Rio de Janeiro detalha que, dos 115 civis listados (dois não tiveram a idade divulgada e dois mortos não foram incluídos), a maioria tinha entre 27 e 39 anos: 38 tinham entre 27 e 31 anos, e 27 tinham entre 32 e 39 anos. A análise etária revela um impacto significativo em jovens adultos, levantando questões sobre as causas subjacentes da violência e a vulnerabilidade dessa faixa da população em operações policiais. Além disso, apenas dois menores de idade, Michel Mendes Peçanha (14 anos) e Jean Alex Santos Campos (17 anos), estavam entre as vítimas, contrastando com apenas um indivíduo com mais de 50 anos, Jorge Benedito Correa Barbosa (54 anos). Vale destacar que a diversidade de idades, embora com predominância de jovens, aponta para a complexidade da situação e a necessidade de investigações aprofundadas.
Além da análise etária, é crucial ressaltar que, dos 117 mortos, nenhum constava na lista original de mandados de prisão expedidos pela Justiça, o que levanta questionamentos sobre os critérios e a execução da operação. A polícia alega que a maioria das prisões (82) ocorreu em flagrante, enquanto apenas 17 foram resultado de mandados. Após a operação, foram apreendidas 122 armas, 5.600 munições, 12 artefatos explosivos, 15 veículos, 22 kg de cocaína e 2 toneladas de maconha, evidenciando a magnitude do confronto e o poder de fogo dos grupos criminosos envolvidos. É importante considerar que esses números, embora expressivos, não justificam a perda de vidas e a necessidade de apurar a fundo as circunstâncias de cada morte.
O que diz a Polícia Civil?
A Polícia Civil do Rio de Janeiro defende a legalidade da operação, alegando que ela seguiu os parâmetros constitucionais e jurisprudenciais, com supervisão do Ministério Público. O delegado José Pedro Costa da Silva, em documento encaminhado ao STF, afirmou que a ação configurou o “exercício legítimo do poder-dever de proteger a sociedade” contra organizações criminosas com perfil narcoterrorista. A Sepol (Secretaria Estadual de Polícia Civil) enfatiza o compromisso com a transparência e a defesa dos direitos humanos, em conformidade com o Estado Democrático de Direito. Contudo, a letalidade da operação e o perfil das vítimas geram debates acalorados sobre a proporcionalidade do uso da força e a necessidade de aprimorar os protocolos policiais em comunidades.
O que vem por aí
A operação Contenção e seus desdobramentos continuam sob investigação, com o objetivo de esclarecer as circunstâncias das mortes e determinar se houve excessos por parte das forças policiais. O relatório da Polícia Civil será analisado pelo Ministério Público e outras instituições de controle, que poderão recomendar medidas adicionais para responsabilizar os envolvidos e prevenir futuras ocorrências semelhantes. A sociedade civil e organizações de direitos humanos também cobram transparência e justiça, buscando garantir que os direitos das vítimas e de suas famílias sejam respeitados.
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