Jacarta/ID – A capital da Indonésia, Jacarta, implementou uma nova legislação que proíbe a venda e o consumo de carne de cachorro, gato e morcego, visando reduzir o risco de transmissão da raiva e, indiretamente, promover o bem-estar animal. A medida, assinada pelo governador Pramono Anung, estabelece um período de adaptação de seis meses e prevê sanções para quem descumpri-la, marcando um avanço significativo na proteção animal na região.
Uma Medida de Saúde Pública com Impacto no Bem-Estar Animal
A decisão de Jacarta de proibir o comércio de carne de animais como cães, gatos e morcegos surge como uma resposta direta à necessidade de controlar a raiva, uma doença que ainda causa dezenas de mortes anualmente no país. Vale destacar que a norma impede a comercialização e qualquer atividade relacionada a animais identificados como potenciais transmissores da doença quando destinados ao consumo humano. Além disso, a regulamentação abrange a proibição de “animais vivos, carne ou derivados, crus ou processados”, efetivamente pondo fim a um mercado que há anos é alvo de críticas por organizações de proteção animal devido aos maus-tratos e métodos de captura violentos.
Apesar de ter sido motivada primariamente por questões de saúde pública, a proibição tem implicações importantes para o bem-estar animal. A organização Dog Meat Free Indonesia (DMFI) considera a iniciativa um passo crucial em direção a padrões mais éticos e alinhados com as diretrizes internacionais de proteção animal. De acordo com a DMFI, uma pesquisa realizada em 2021 revelou que 93% dos indonésios são contrários ao comércio de carne de cachorro e apoiam sua abolição. Em Semarang, por exemplo, uma operação interceptou um caminhão transportando mais de 200 cães destinados ao abate, resultando na detenção de cinco pessoas.
Impacto Econômico e Adaptação
A proibição já está impactando o mercado local. Em Jacarta, o aumento do controle das autoridades tem forçado os comerciantes a vender carne de cachorro apenas para uma clientela selecionada e de confiança, elevando os preços. Restaurantes que antes ofereciam abertamente pratos com carne de cachorro agora se abstêm de fazê-lo e evitam mencionar o comércio. Um residente local, Sunggul, relatou que, antes da proibição entrar em vigor, “comprar carne de cachorro é como procurar droga”, devido à escassez.
O que vem por aí
Com um período de adaptação de seis meses, espera-se que a proibição se consolide e que medidas adicionais sejam implementadas para garantir o bem-estar dos animais resgatados. Ainda não há um plano preciso sobre o destino dos animais não vendidos, mas a expectativa é que ONGs e autoridades trabalhem em conjunto para encontrar soluções que atendam às necessidades de todos os envolvidos.
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