Juros Altos: Setor Imobiliário Pede Brevidade na Restrição

Cidade/UF – O presidente da CBIC, Renato Correia, alertou para o impacto negativo da alta taxa de juros na economia, especialmente no setor imobiliário. Em entrevista à CNN Brasil, Correia defendeu que a fase de juros elevados seja a mais curta possível, dada a dependência do setor por crédito de longo prazo. Apesar do cenário desafiador, ele reconhece o apoio de políticas governamentais para manter a atividade relativamente estável.

Impacto Direto na Construção Civil

O setor da construção civil, intrinsecamente ligado ao crédito, sente o peso da política monetária restritiva. Empresas e compradores dependem de financiamentos acessíveis para viabilizar projetos e aquisições. A alta taxa de juros encarece o crédito, desestimulando novos investimentos e dificultando o acesso à moradia para muitas famílias. Além disso, a incerteza econômica gerada pelos juros elevados pode levar à postergação de decisões de compra, impactando negativamente o mercado imobiliário como um todo. Vale destacar que a construção civil é um importante motor da economia, gerando empregos e renda em diversos setores.

Correia mencionou que, apesar do cenário adverso, algumas medidas governamentais têm amenizado os efeitos negativos. O novo modelo de financiamento imobiliário, anunciado em outubro, busca otimizar o uso da poupança e liberar recursos para o setor. A medida permite que os bancos utilizem parte dos recursos captados, desde que concedam crédito imobiliário em volume equivalente. Essa iniciativa visa aumentar a oferta de financiamentos e impulsionar o mercado. O novo modelo prevê a liberação total dos depósitos compulsórios da poupança em até dez anos, o que representa um alívio significativo para o setor.

Medidas Complementares e Perspectivas Futuras

A criação da Faixa 4 do Minha Casa Minha Vida, voltada para famílias com renda mensal de até R$ 12 mil, também é vista como uma medida positiva. Essa faixa amplia o acesso à moradia para a classe média, impulsionando a demanda e aquecendo o mercado. Além disso, as taxas praticadas no setor, sobretudo nas operações ligadas ao FGTS, contam com subsídios que ajudam a sustentar o nível de atividade. É importante ressaltar que 54% dos trabalhadores não conseguem manter o salário até o fim do mês, o que torna o acesso ao crédito ainda mais crucial.

O que vem por aí

Para 2026, a CBIC demonstra otimismo em relação às mudanças no sistema de financiamento, mas ressalta que será um momento de acompanhamento, já que o novo modelo ainda estará sendo testado na prática. No Congresso Nacional, a entidade prioriza a aprovação de uma reforma administrativa, além de maior agilidade na análise de projetos considerados importantes para o setor. A expectativa é que essas medidas contribuam para um ambiente de negócios mais favorável e impulsionem o crescimento da construção civil.

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