Brasília/DF – O ídolo do Atlético Mineiro, Reinaldo Lima, teve seu sofrimento reconhecido e foi anistiado pela Comissão de Anistia do Governo Federal. A decisão, tomada nesta terça-feira em Brasília, repara a perseguição política que o ex-jogador enfrentou durante o período da ditadura militar no Brasil. Além do perdão formal, Reinaldo também foi contemplado com uma indenização de R$ 100 mil, concedida pelo Ministério dos Direitos Humanos.
O preço da ousadia e da contestação
Reinaldo, que marcou época com a camisa do Galo, sempre foi uma figura polêmica, dentro e fora de campo. Sua postura contestadora e sua identificação com causas sociais, especialmente a luta contra o racismo, o colocaram na mira do regime militar. A perseguição, que se intensificou entre 1978 e 1986, resultou em inúmeras dificuldades para o jogador, incluindo a vigilância constante por parte do Sistema Nacional de Informações (SNI), o órgão de espionagem da ditadura.
Em seu relato à Comissão de Anistia, Reinaldo detalhou o impacto da perseguição em sua carreira, mencionando a não convocação para a Copa do Mundo de 1982 como um exemplo emblemático. “A campanha de difamação e a perseguição política me tiraram muitas oportunidades”, afirmou o ex-jogador. “Talvez o exemplo mais evidente seja a não convocação para a Copa do Mundo de 1982, onde, apesar de o treinador falar de questões físicas, todo mundo sabia que o motivo eram as restrições a meu suposto comportamento fora de campo”. Vale destacar que, além do SNI, Reinaldo também sofreu pressões de generais que comandavam a Confederação Brasileira de Desportos (CBD), atual CBF.
Um gesto de protesto que marcou uma geração
A forma como Reinaldo encontrou para protestar contra as perseguições do regime militar ficou marcada na memória dos torcedores. O atacante comemorava seus gols com o braço erguido e o punho cerrado, emulando o gesto dos militantes negros do movimento Panteras Negras, dos Estados Unidos, que lutavam contra o racismo e pela defesa dos direitos civis. Esse gesto, ousado para a época, demonstrava a coragem e o engajamento político de Reinaldo, que não se intimidou diante da repressão.
O que vem por aí
A decisão da Comissão de Anistia representa um importante passo na reparação das injustiças cometidas durante a ditadura militar no Brasil. A indenização será paga em parcela única, conforme informou a relatora Rita Maria de Miranda Sipahi. O caso de Reinaldo serve como um lembrete dos tempos sombrios da história brasileira e da importância de defender a liberdade de expressão e os direitos humanos.
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