Bruxelas/Bélgica – A Comissão Europeia apresentou um plano ambicioso nesta quarta-feira (3) visando fortalecer a resiliência da União Europeia diante de crescentes ameaças econômicas. A iniciativa surge em resposta a desafios como a escassez de terras raras e as tensões comerciais globais, propondo aprimorar as ferramentas comerciais existentes e implementar novas medidas de proteção para garantir a segurança econômica do bloco.
Uma nova doutrina para tempos incertos
Diante de um cenário global marcado por tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos e restrições chinesas que impactam o fornecimento de recursos essenciais, a União Europeia busca proativamente assegurar sua posição como líder global em manufatura. A “doutrina de segurança econômica”, como foi definida pela Comissão, visa coordenar esforços entre os estados membros e as empresas para analisar minuciosamente as cadeias de suprimentos, as regras de investimento estrangeiro, os setores de defesa e espacial, bem como o desenvolvimento de novas tecnologias e infraestrutura crítica. A ideia central é antecipar-se aos desafios, passando de uma postura reativa para uma proativa na formulação de políticas.
O comissário de Comércio, Maros Sefcovic, enfatizou a necessidade de acelerar a implementação das medidas comerciais existentes, como direitos antidumping e antissubsídios, que atualmente demandam investigações de até um ano para serem aplicadas. A Comissão pretende analisar até o terceiro trimestre de 2026 a viabilidade de novas medidas para combater o comércio desleal e as distorções de mercado, incluindo o excesso de capacidade. Adicionalmente, pretende-se incentivar as empresas em setores de alto risco a diversificarem seus fornecedores e estabelecer uma preferência por empresas sediadas na UE em licitações públicas para projetos em setores considerados estratégicos.
O aprendizado com o caso japonês
A experiência do Japão, que enfrentou a suspensão das exportações de terras raras pela China em 2010, serve de inspiração para a União Europeia. O país asiático respondeu a essa crise diversificando suas fontes de fornecimento, intensificando a reciclagem, construindo reservas estratégicas e formando parcerias com outros países. A UE pretende seguir um caminho semelhante, fortalecendo a triagem de investimentos estrangeiros e priorizando o apoio a empresas que reduzam sua dependência de setores ou tecnologias consideradas críticas.
O que vem por aí
A Comissão Europeia segue empenhada em implementar as medidas delineadas em sua nova doutrina de segurança econômica. A expectativa é que, ao fortalecer a resiliência do bloco, a União Europeia possa enfrentar com mais confiança os desafios econômicos globais e garantir sua prosperidade no longo prazo. O vice-presidente da Comissão, Stephane Sejourne, indicou que a UE poderá tornar obrigatórias algumas medidas de diversificação para as empresas europeias.
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